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 A Medalha Milagrosa: um sopro de esperança

De Dentro Geral, Santuários Marianos, Vida dos Santos Em 27/11/2018


Atualizado em 23/07/2020.

 

Quando falamos da Medalha Milagrosa logo nos lembramos da imagem calma e bondosa de Nossa Senhora das Graças. Com uma devoção muito grande no Brasil e em todo o mundo, a medalha que foi cunhada a pedido da Virgem Santa. A medalha ficou muito conhecida pela profusão de milagres e por isso ganhou o nome de Medalha Milagrosa. E Nossa Senhora escolheu uma recém noviça que foi posteriormente consagrada Santa para ter a honra de passar ao mundo Suas palavras. Vamos saber um pouco mais sobre Santa Catarina Labouré que teve sua história sempre marcada pelos desígnios de Nossa Mãe.

Santa Catarina Labouré

Caterina Labouré veio ao mundo em 1806, na província francesa da Borgonha, sob os céus de Fain-les-Moutiers, onde seu pai possuía uma fazenda e outros bens. Com nove anos ela perdeu sua mãe. Tomada pelo duro golpe, em lágrimas, Catarina abraçou uma estátua da Santíssima Virgem e exclamou: “De agora em diante você será minha mãe!”

Nossa Senhora não desapontará a menina que se confiou a Ela com tanta devoção e confiança. A partir desse momento, Ela a adotou como uma filha amada, obtendo abundantes graças que fizeram sua alma inocente e generosa crescer.

O chamado

Certa vez, Catarina foi perturbada por um sonho. Na igreja de Fain-les-Moutiers, ela viu um padre idoso e desconhecido celebrando a missa, cujo olhar a impressionou profundamente. Quando o Santo Sacrifício terminou, ele faz um sinal para ela se aproximar dele, mas ela não se aproximou e foi embora marcada por aquele olhar profundo. Mesmo em sonhos, ela foi visitar um pobre doente, e encontrou novamente o mesmo sacerdote, que desta vez lhe diz: “Minha filha, você pode escapar agora, mas um dia você vai ficar feliz em voltar para mim. Deus tem intenções sobre você. Não se esqueça disso.” Quando ela acordou, se lembrou desse sonho em sua mente, sem entender o que se passava.

Com as filhas de São Vicente de Paulo

Algum tempo depois, já com 18 anos, uma enorme surpresa. Ao entrar em um salão do convento em Châtillon-sur-Seine, ela se vê diante de uma pintura de São Vicente de Paulo, Fundador da Congregação das Filhas da Caridade. O sacerdote ancião dos seus sonhos, era justamente São Vicente de Paulo, o que confirma e indica a vocação religiosa de Catarina.

Aos 23 anos, vencendo todos os esforços de seu pai para tirá-la do caminho que o Senhor lhe traçara, abandona para sempre o mundo e entra como postulante naquele mesmo convento de Châtillon-sur-Seine. Três meses depois, em 21 de abril de 1830, foi aceita no noviciado das Filhas da Caridade, localizado na Rue du Bac , em Paris, onde faria os votos no mês de janeiro seguinte.

As aparições

Em 18 de julho de 1830, às vésperas da festa de São Vicente, às 23:30, Catarina ouve alguém chamá-la pelo nome. Uma criança misteriosa está ao pé da cama e a convida a levantar: “A Santíssima Virgem espera por você”, diz a criança. Catarina se veste e segue a criança que espalha raios de luz por todo lugar aonde passa. Chegando na capela, Catarina para ao lado da cadeira do padre, localizada no coro. Foi então como o farfalhar de um vestido de seda. Seu pequeno guia disse. “Aqui está a Santa Virgem”. Catarina hesita em acreditar. Mas a criança repete com uma voz mais alta: “Aqui está a Santa Virgem”.

Catarina corre para se ajoelhar ao lado de Maria que está sentada na cadeira (do padre) “Então, eu pulei para chegar perto dela, e me ajoelhei nos degraus do altar, com as mãos apoiadas nos joelhos de Maria. O momento foi o mais doce da minha vida. Seria impossível para mim dizer o que senti. A Santíssima Virgem me disse então como eu deveria me comportar com meu confessor e muitas outras coisas”.

Catarina recebe o anúncio de uma missão e o pedido para fundar a Confraria das Filhas de Maria. Isso será feito pelo Padre Aladel em 2 de fevereiro de 1840.

Segunda aparição: história da Medalha Milagrosa

Quatro meses se passaram daquela noite prodigiosa em que Santa Catarina contemplou pela primeira vez a Santíssima Virgem. Na alma inocente da religiosa, cresceu a nostalgia pelo encontro abençoado e pelo desejo intenso de que o augusto favor de ver a Mãe de Deus fosse novamente concedido a ela.

Era 27 de novembro de 1830, sábado. Às cinco e meia da tarde, as Filhas da Caridade se reuniram em sua capela, na Rue du Bac, para o período habitual de meditação. Um perfeito silêncio reinou entre as freiras e as noviças. Como as outras, Catarina estava em silêncio profundo.

“De repente, parecia ouvir, da galeria, um ruído como um farfalhar de um vestido de seda. Tendo olhado daquele lado, vi a Santíssima Virgem ao nível da imagem de São José. De estatura mediana, o rosto dela era tão lindo que seria impossível para mim contar sua beleza. A Santíssima Virgem estava de pé, vestida com um vestido de seda branco-aurora, feito de acordo com o modelo chamado ‘a la Vierge’, mangas lisas, com um véu branco que cobria a cabeça e descia para os lados. Sob o véu, vi o cabelo partido ao meio e, acima dele, uma renda de cerca de três centímetros de altura, sem cachos, isto é, levemente sobre o cabelo. O rosto bastante exposto, os pés colocados em uma meia esfera. Em suas mãos, descansando no nível do estômago de uma maneira muito natural, ela usava uma esfera em ouro que representava o globo terrestre. Seus olhos estavam voltados para o céu. Seu rosto era de uma beleza incomparável. Eu não consegui descrever. De repente, vi em seus dedos anéis cobertos de lindas pedras preciosas, cada uma mais bonita que a outra, algumas maiores, outras menores, que lançavam raios de todos os lados. Das pedras principais começaram os esplendores mais magníficos, alargando-se à medida que desciam, enchendo toda a parte inferior do lugar. Eu não vi os pés de Nossa Senhora. Neste momento, enquanto contemplava a Santíssima Virgem, ela baixou os olhos, olhando para mim. E uma voz se fez ouvir no fundo do meu coração, dizendo estas palavras: A esfera que você vê representa o mundo inteiro, especialmente a França e cada pessoa em particular. Eu não posso expressar o que senti e o que vi naquele instante: o esplendor e o brilho de raios tão maravilhosos. Naquele momento formou-se uma gravura em torno de Nossa Senhora, e numa esfera ovalada apareceram as seguintes palavras: “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós”, escritas em letras douradas.

Imediatamente depois, a medalha se vira e Catarina vê o seu verso: no topo, uma cruz sobrepõe-se ao M de Maria, no fundo dois corações, um coroado de espinhos, o outro perfurado por uma espada. Catarina então ouve estas palavras: “Faça uma medalha de acordo com este modelo. Todos aqueles que a levarem, trazendo-a ao coração, receberão grandes graças. Estas serão abundantes para aqueles que a usarem com confiança”.

Poucos meses depois das aparições, a Irmã Catarina, foi enviada para o abrigo de Enghein (Paris, 12) para tratar os idosos, vai para o trabalho. Mas uma voz interior insiste: a medalha deve ser cunhada. Catarina conta para seu confessor, padre Aladel.

Significados da Medalha Milagrosa

A própria Virgem Maria está envolvida na batalha espiritual, na luta contra o mal, da qual nosso mundo é o campo de batalha. Maria nos chama a entrar na lógica de Deus, que não é a lógica deste mundo. Esta é a graça autêntica, a da conversão, que o cristão deve pedir a Maria para transmiti-la ao mundo.

Suas mãos estão abertas e seus dedos estão adornados com anéis cobertos de pedras preciosas, das quais saem raios, que caem na terra, espalhando-se para fora.

O esplendor desses raios, como a beleza e a luz da aparição, descrita por Catarina, recorda, justifica e nutre nossa confiança na fidelidade de Maria (os anéis) para com seu Criador e para com seus filhos, em eficácia, de sua intervenção (os raios da graça, que caem sobre a terra) e na vitória final (a luz), já que ela mesma, a primeira discípula, é a primeira dos salvos.

Os símbolos

Os dois sinais entrelaçados mostram a relação indissolúvel que liga Cristo à sua Mãe Santíssima. Maria é associada à missão de salvação da humanidade por seu filho Jesus e participa através de sua compaixão no próprio ato do sacrifício redentor de Cristo.

O coração coroado de espinhos é o coração de Jesus. Recorda o cruel episódio da Paixão de Cristo, antes da morte, contada nos Evangelhos. O coração simboliza sua paixão de amor pelos homens. O coração transpassado por uma espada é o coração de Maria, sua mãe. Refere-se à profecia de Simeão, contada nos Evangelhos no dia da apresentação de Jesus no templo de Jerusalém por Maria e José. Simboliza o amor de Cristo, que está em Maria e recorda o seu amor por nós, pela nossa salvação e aceitação do sacrifício do seu Filho. A justaposição dos dois Corações expressa que a vida de Maria é uma vida de íntima união com Jesus.

As estrelas correspondem aos doze apóstolos e representam a Igreja. Ser Igreja significa amar a Cristo, participar de sua paixão, pela salvação do mundo. Cada pessoa batizada é convidada a participar da missão de Cristo, unindo seu coração aos Corações de Jesus e Maria. Desse modo, a medalha é um chamado à consciência de cada um, para que ele possa escolher, como Cristo e Maria, o caminho do amor, até o dom total de si mesmo.

Um sopro de esperança

Em fevereiro de 1832, uma terrível epidemia de cólera irrompeu em Paris, causando mais de 20.000 mortes. Em junho, as Filhas da Caridade começam a distribuir as primeiras duas mil medalhas, feitas pelo padre Aladel. A cura foi multiplicada, como proteções e conversões. Foi um evento extraordinário. O povo de Paris chamou a medalha de “milagrosa”.

A glorificação de Catarina

Durante 46 anos de uma vida inteiramente interior e de lembrança escrupulosa, Santa Catarina permaneceu fiel ao seu anonimato. Silêncio milagroso! Seis meses antes de seu fim, incapaz de ver seu confessor, ela recebeu a permissão do Céu – talvez a necessidade – de revelar à sua superiora que ela era a freira honrada pela Santíssima Virgem por um ato tão importante de confiança.

Santa Catarina morreu suavemente em 31 de dezembro de 1876 e foi sepultada três dias depois em um túmulo escavado na capela da rue du Bac. Depois de quase seis décadas, em 21 de março de 1933, quando seu corpo foi exumado, as mãos que tocaram Nossa Senhora e os olhos que a tinham visto, pareciam extraordinariamente preservadas. Foi beatificada por Pio XI em 28 de maio de 1933 e canonizada por Pio XII em 27 de julho de 1947: suas relíquias ficam na capela onde ele apareceu. A festa litúrgica, para as famílias Vicentinas, é estabelecida no dia 28 de novembro. Hoje, qualquer fiel pode.

A Capela de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa

A Capela de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa é um importante lugar de oração e peregrinação que continua a receber mais de um milhão de peregrinos no ano. Desse modo, juntamente com a SacraTour, você tem a oportunidade de se unir aos milhares de fiéis provenientes de todo o mundo para suplicar a proteção da Virgem Maria.

Este santuário está localizado no coração de Paris, na Rue du Bac 140, onde se localiza o Convento das Irmãs Filhas da Caridade de São Vicente de Paula. A fachada do prédio está quase perdida entre todas as outras fachadas, já que não há igrejas à vista, mas uma simples porta preta que leva a um pátio interno retangular, cercado por prédios do convento. No fundo surge uma pequena torre sineira, testemunhando a presença de uma capela. E é aqui que se encontra a pequena igreja onde a aparição aconteceu e onde se pode venerar o corpo incorrupto da santa, exposto na Casa das Filhas da Caridade, em Paris.

“Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós”.

Fontes:
Santi e Beati

Catherine Labouré, sa vie, ses apparitions, son message racontée a tous, René Laurentin, Desclée De Brouwer, 1981.

vMémorial des Apparitions de la Vierge dans l’Église, Fr. H. Maréchal, O. P., Éditions du Cerf, Parigi, 1957.

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