Blog Sacratour

4003-6134 ou pelo whats app! [email protected]

Generic selectors
Apenas correspondências exatas
Pesquisar por Título
Pesquisar por Conteúdo
Pesquisar nas postagens
Pesquisar nas paginas
Menu
SacraTour

Turismo Religioso

O que é necessário para a Igreja reconhecer as aparições de Nossa Senhora?

De Dentro Geral, Vida dos Santos Em 26/04/2019


O que é necessário para a Igreja reconhecer as aparições de Nossa Senhora?

Desde os primórdios do cristianismo as aparições marianas provocam reservas e perplexidades, bem como curiosidade e adesão fervorosa. Cabe ao magistério dos pastores da Igreja investigar, discernir e autenticar a veracidade desses fenômenos.

Até a Idade Média as revelações privadas, as aparições marianas e outros fenômenos correspondentes, estavam sujeitos, por um lado, às regras de discernimento estabelecidas pelos teólogos, e, por outro – quando se tratava de fatos públicos – à pesquisa, cujas modalidades eram refinadas a partir de dados empíricos.

A primeira investigação oficial deste tipo se concentra nas revelações de Santa Brígida († 1373): a notoriedade desfrutada por sua difusão no cristianismo, a influência que exercem sobre o povo de Deus, confere-lhes caráter público. Por esta razão, o Concílio de Basiléia (1431-1448) decidiu examiná-los. Vários teólogos se mobilizaram, argumentando a favor ou contra, elaborando assim as primeiras exposições sistemáticas sobre como verificar e analisar os fatos relacionados às aparições.

Após a celebração do Concílio Vaticano II (1962-1965) e antes da promulgação, em 1983, do Código de Direito Canônico (CIC) por João Paulo II, a Congregação para a Doutrina da Fé, após quatro anos de estudo, a partir de novembro de 1974, ainda vivendo Paulo VI, escreveu, em 25 de fevereiro de 1978, um documento provisório e sub-secreto para ser usado pelas autoridades eclesiásticas competentes, intitulado: Normae S. Congregationis pro Doctrina Fidei de modo procedendi in diudicandis praesumptis apparitionibus ac revelationibus (Normas da S. Congregação para a Doutrina da Fé sobre Normas para proceder sobre o discernimento de possíveis aparições e revelações).

BASILICA-SACRE-COEUR-PAR

BASILICA-SACRE-COEUR-PAR

IGREJA SANTA-ANA-JERUSALEM

IGREJA SANTA-ANA-JERUSALEM

Estas Normas da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé foram tornadas públicas pela mesma Congregação em 2012, versando sobre o procedimento de verificação das aparições, como elencamos a seguir:

– informações precisas dos fatos através da observação e coleta de testemunhos dignos de fé;

– um exame sério da mensagem subjacente ao evento sobrenatural, que não devia estar em contraste com a fé cristã;

-um diagnóstico médico-psicológico rigoroso para averiguar a saúde e normalidade do visionário, também para descartar a possibilidade de fenômenos alucinatórios;

– conhecer o grau de instrução do vidente, seu conhecimento da doutrina, sua vida espiritual e sacramental, seu grau de comunhão eclesial;

– verificação sobre a realidade dos frutos espirituais, como o retorno à fé do distante, a moralidade e a eclesialidade da existência, a cooperação na evangelização do mundo, das culturas e costumes;

– determinar possíveis curas milagrosas, que são recebidas devido à aparência reivindicada, curas que devem ser imediatas e estáveis ​​e que são inexplicáveis ​​do ponto de vista da ciência e da medicina;

– realização de um rigoroso julgamento necessário da igreja, que tem o grave dever pastoral de averiguar, autenticar e promulgar a autenticidade ou a não autenticidade dos fatos alegados.

O processo e as competências específicas daqueles que são gradualmente chamados a dar um juízo de autenticidade ou não aos fatos “sobrenaturais”, são, portanto, bastante claros. E, de acordo com a experiência eclesiástica bem estabelecida e os ditames jurídico-pastorais emitidos pelo Código de Direito Canônico de 1978, são eles:

– o bispo diocesano em primeira instância;

– a Conferência Episcopal Nacional;

– a Congregação para a Doutrina da Fé, em nome da Sé Apostólica.

CATEDRAL-DE-NOSSA-SENHORA-DO-PILAR

CATEDRAL-DE-NOSSA-SENHORA-DO-PILAR

O bispo diocesano, a Conferência Episcopal, a Congregação para a Doutrina da Fé, no processo de discernimento e verificação dos fatos alegados “além da natureza”, procedem, portanto, com um triplo critério com julgamento relativo que resumimos:

1) o critério positivo, segundo o qual “transcendência é estabelecida”, o que significa que o fenômeno em questão não pode ser explicado pelo recurso às ferramentas cognitivas de que dispomos (os instrumentos das ciências físicas e das ciências humanas) e ao mesmo tempo traz em si aquelas características que os crentes reconhecem como “impressões” e “sinais” do Deus de Jesus Cristo, constituindo assim uma manifestação inesperada, mas credível;

2) o critério negativo, segundo o qual “a não-transcendência” dos fatos alegados é estabelecida; o que significa que eles podem ser totalmente explicados recorrendo aos instrumentos cognitivos das ciências físicas e das ciências humanas e que a tentativa de fazê-los passar como uma manifestação sobrenatural e transcendente de Deus é equivalente a uma mentira explícita;

3) o critério de esperar e ver de acordo com o qual a “transcendência não é estabelecida”; o que significa que o fenômeno examinado ainda não destaca clara e indubitavelmente uma origem que vai “além” do que podemos explicar com as ferramentas cognitivas em nosso poder, ao mesmo tempo em que traz em si valores inspirados pela genuína mensagem evangélica . Este é um critério não expressamente contemplado no Código, mas considerado válido para muitos teólogos.

Com relação ao passado, as comissões eclesiásticas submetem os “videntes” a escrupulosos exames espirituais, tentando estabelecer “a verdade” de fenômenos extraordinários. Para este fim, eles são questionados e descrevem os eventos milagrosos; então os membros das comissões ouvem as testemunhas e, finalmente, procuram confirmações dos fenômenos, se o evento prolongado ainda permanece em um “campo de incerteza” (inaudível, inatingível, etc.), pede-se um relatório escrito por um especialista no assunto.

Contudo, não se pode deixar de acrescentar que as aparições marianas (ou mariofanias) são um fato inegável na história do povo crente, particularmente em algumas viradas decisivas de seu caminho não fácil para Deus. Elas expressam uma memória, manifestam uma companhia, anunciam uma profecia.

CATEDRAL-DE-SANTA-MARIA-DE-ALMUDENA

CATEDRAL-DE-SANTA-MARIA-DE-ALMUDENA

Memória, companhia e profecia, que são também características de autênticas mariofanias, nada acrescentam ao rigoroso e essencial depositum fidei, mas são como um olhar-se no “espelho” do Espírito, no qual o povo de Deus, na diversidade de seus carismas e ministérios pode redescobrir a graça e a substância da sua vocação em Cristo como sinal e instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o gênero humano na martyria, na leiturghia, na caridade, num preciso e determinado tempo humano e histórico.

Fonte:

Catechismo della chiesa cattolica, LEV, Città del Vaticano, 1997 (CCC), 85-87.

Congregazione per la dottrina della fede. Norme per procedere nel discernimento di presunte apparizioni e rivelazioni, LEV, Città del Vaticano, 2012.

K. Rahner, Visioni e profezie. Mistica ed esperienza della trascendenza, Vita e Pensiero, Milano 1995 (or. ted. 1952); R. Laurentin, Introduzione, in R. Laurentin – P. Sbalchiero (ed.), Dizionario delle «apparizioni» della Vergine Maria, Edizioni ART, Roma 2010, 19-55.

Por Prof. Delci Filho

Compartilhe!

Posts Relacionados

Deixe um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.